quinta-feira, 6 de agosto de 2020

México: um mercado de mangás emergente

Mercado mexicano já é maior que o brasileiro.

O mercado mexicano de mangás está crescendo e possivelmente até deixando de ser emergente.

Não é nenhuma surpresa que os mangás são uma grande fonte de renda para o Japão e até um produto que coloca muito dinheiro em circulação em vários países. No México não seria diferente, e é isso que vamos comentar hoje.

Introduzindo o Mercado Mexicano

O mercado mexicano é um caso muito engraçado e interessante. Até 2014 o mercado era tão minúsculo quanto o argentino ou o português, tendo um total de 52 volumes de mangá durante o ano inteiro. O que mudou, graças ao incentivo e à popularidade crescente dos animes na América como um todo, culminando no mercado que conhecemos hoje.

No início eram somente duas editoras, para não dizer só uma. A primeira editora de renome foi a Kamite, que podemos considerar hoje como a segunda maior do país, perdendo apenas para a gigante italiana Panini. Os mangás não eram lá muito publicados, poucas obras eram serializadas e todas elas provenientes ou de obras shounen famosas ou mangás desconhecidos, de autores desconhecidos publicado por editoras desconhecidas.

Ao todo, em 2014, foram publicados 56 volumes de 14 obras diferentes.

A mudança aconteceu no ano seguinte. A Panini só pisou em solo mexicano em 2014, quando Hellsing era a única obra em publicação. Foi só a partir de 2015 que a Panini fez total diferença no mercado de lá.

Com a entrada da Panini no México, a Kamite finalmente tinha uma concorrente de peso que a fez repensar seu modo de publicação, afinal, a gigante italiana mostrou que veio para ficar.

Em 2017, pode-se dizer que o mercado finalmente se consolidou, e podemos dizer com toda certeza que o mercado brasileiro a partir de 2018 não era mais o segundo maior mercado da América.

Em 2017 já tinha sido publicado 390 volumes de mangás durante todo o ano, um simples salto enorme em uma quantidade de tempo muito pequena (apenas 3 anos), sendo repetido em 2018 e alcançando seu ápice em 2019, quando foram publicadas ao todo 616 volumes de mangás, de 69 obras que já estavam em publicação e mais 53 que começaram a sair aquele ano, sendo ao todo 122 séries diferentes.

Para quesito de comparação, o mercado brasileiro publicou em 2019 apenas 411 volumes de mangás, um número bem menor que os 616 publicados no México.

Falando agora das 3 grandes mexicanas e como foram seu 2019, vamos comparar cada uma com uma das 3 grandes brasileiras e ver suas diferenças, os prós e contras.

Smash x NewPop

A editora Smash, antes de encerrar suas atividades e demitir todo mundo, publicou um total de 6 volumes durante 2019, todos sendo da mesma obra, GTO – Great Teacher Onizuka, que foram publicadas do volume 17 ao 22, faltando apenas 3 para ser concluído.

Como sua paralisação foi repentina, não se sabe se obras como Clayomore, NANA e Haikyuu vão voltar a ser publicadas, embora haja boatos de que a Panini acabou pegando a licença de Claymore, mas nada concreto ainda.

Um caso engraçado é que Haikyuu não chegou a ser publicado em nenhum país da América Latina. A Smash tem a licença, mas nenhum volume lançado.

Agora o lado da NewPop. Com um 2018 realmente bem agitado, cheio de obras sendo lançadas e a editora entrando em ascensão no meio otaku. Já 2019 foi um ano meio parado e com muitas obras sendo paralisadas e voltando.

Ao todo, foram 26 volumes de mangás lançados durante 2019, o que não foi ruim, já que é o terceiro ano da editora em que mais mangás foram lançados, sem contar as novels, o que daria um total de 41 volumes ao todo no ano.

Fora as light novels, foi um bom ano, com a publicação de Devilman e o artbook de Re:Zero. É até injusto comparar uma editora em atividade enquanto a outra, mesmo tendo obras de mais renome, está paralisada.

Kamite x JBC

A Kamite teve um ano pequeno em relação à publicações. Foram ao todo 45 volumes publicados, mas foi um ano com grande expansão e maior conhecimento da própria editora, com várias séries de renome sendo licenciadas e algumas delas sem nunca nem sentir o cheiro de sair aqui no Brasil também. Esses volumes são originários das 11 novas obras que começaram a publicadas lá. Além desses 11, duas delas eram volumes únicos.

Obras como Aku no Hana, Konosuba, Clover e Akashi Records são exemplos de obras que começaram a sair primeiro lá e nem deram as caras aqui no Brasil.

A empresa também começou o lançamento de light novels, começando por Kumo Desu ka, Nani Ka? (Sou uma aranha?!).

Com uma série de anos conturbados subsequentes de calotes de grandes livrarias e um problema na economia geral do país, a brasileira JBC foi a que pareceu mais sofrer com isso.

Em 2019, as coisas parecem se estabilizar um pouco, tendo um total de 106 volumes de mangás publicados durante o ano, mais que o dobro da mexicana Kamite. Todos esses 106 volumes são distribuídos entre mangás, e-books, databooks e light novels. Ao todo, foram lançados apenas 7 novidades durante o ano, um número inferior à mexicana.

A JBC começou a lançar obras famosas de autores conhecidos, como Fire Punch e Overlod (light novel), o que acendeu aquela chama da vontade e que mostra como a editora ainda se mantém firme e forte.

Panini x Panini

Começando pela Panini Brasil, o ano foi bem melhor do que todos os outros, publicando 268 mangás e sendo o ano com mais mangás publicados dentre todos os outros. Muitos mangás famosos e interessantes foram publicados aqui pela editora, obras realmente muito boas.

Nesse ano a Panini teve uma grande fatia do mercado, sendo responsável por 70% de todo o mercado de mangás brasileiro, com muitas novidades, mangás de autores famosos e muito bons títulos publicados por aqui.

Mas nem tudo é um mar de rosas, o ano também foi marcado por reclamações intensas e vários boicotes. Reclamações de traduções, edições mal feitas, mangás sumindo rapidamente e nunca mais sendo repostos.

Se o ano da Panini Brasil foi bom, com a Panini México foi melhor ainda. A Panini foi inapelável e publicou 565 volumes de mangás, divididos em 102 séries diferentes. Dessas 102 séries, 60 já estavam em publicação, enquanto 42 foram novidades durante o ano.

Entre os lançamentos estiveram mangás como Jojo’s Bizarre Adventure – Part 4: Diamond is Unbreakeble, Plunderer, Overlord, City Hunter, entre muitos outros.

O ano também não foi só de coisas boas. Assim como a brasileira, a filial mexicana também recebeu muita reclamação pelas suas traduções. A Panini reutilizava as traduções espanholas dos mesmos mangás e os fãs não gostaram disso. Mas os leitores de lá também foram ouvidos quanto a outro aspecto: o papel usada pela mexicana mudou do amarelado padrão para o offset, aquele usado pela editora NewPop aqui no Brasil.

Acharam interessante saber mais do mercado de mangás de outro país? É uma boa base de comparação com o nosso próprio mercado de mangás, não é mesmo? Fiquem ligados aqui no AniNerd que vai vir muito mais informações e curiosidades do tipo por aí.

Fontes: Panini México, Kamite, Smash, BBM

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