sexta-feira, 10 de julho de 2020

Censura e liberdade: entenda por que Ishuzoku Reviewers foi retirado da TV aberta no Japão

É assustadora a semelhança com Shimoneta…

Ah… Ishuzoku Reviewers, o anime que não para de dar o que falar. Porque está dando o que falar? Além do fato de ser basicamente um hentai leve em que os protagonistas “apreciam” mulheres de outras raças para fazer resenhas delas e do fato de vários serviços de streaming estarem tirando o título do catálogo, parece que agora alguém mais importante se interessou pela história.

A questão agora é que semana passada a emissora Tokyo MX, responsável por levar os episódios ao ar, anunciou que não iria mais transmitir a série. Levando em conta que em animes que passam de madrugada, 1h30 da manhã no caso, costumam ter temas sensíveis e normalmente não precisam chamar a atenção de anunciantes para comerciais, já que os horários são pagos diretamente pelo comitê de produção, esse tipo de anime raramente recebe cancelamento da emissora, principalmente no meio da temporada.

Entretanto, três dias após o primeiro episódio ir ao ar, a ONG Organização para Melhoria dos Programas e Ética de Transmissão (BPO) já estava postando críticas sobre “um anime transmitido de madrugada que se passa em um mundo com humanos, monstros e anjos, onde os protagonistas viajam de prostíbulo em prostíbulo”.

Eu fico indignado que um anime como este, com tamanho conteúdo sexual, esteja sendo exibido sem nenhuma restrição etária e que ele possa ser visto por crianças.
Um anime transmitido de madrugada, mesmo se passando em um mundo fantástico, os personagens masculinos fazem crítica de bordéis, depreciando as personagens femininas.
Mesmo que seja um anime, está repleto de prostituição e piadas sujas, logo é uma péssima influência para as crianças.

É possível que os fãs do anime fiquem irritados com a acusação de que os protagonistas depreciam as mulheres na animação, mas acho difícil alguém discordar das acusações que falam que é basicamente cena atrás de cena de conteúdo sexual. Aparentemente, a BPO achou que estas reclamações eram graves os suficiente para justificar uma discussão interna dentro do Comitê de Programação Juvenil, cujos membros apresentaram suas próprias críticas no dia 28, que incluem:

Em relação às acusações de que a animação é ‘enojante’ e ‘vulgar’, tais opiniões estão relacionadas ao conceito de liberdade de expressão e devem ser analisadas com muito cuidado.
No passado, somente adultos assistiam à TV de madrugada. Entretanto, agora pode-se assistir a tudo 24 horas por dia na internet, e a divisão social de faixa horária está mudando. Esta mudança é algo que devemos considerar.
Crianças não são a única audiência da TV, então eu acredito que a emissora está produzindo este anime direcionado para o público adulto no período da madrugada dentro dos limites da liberdade de expressão.
É preciso que se tome cuidado para que tal conteúdo extremo não entre gradativamente em horários que não sejam de madrugada.

Os comentários feito pela ONG mostram que as pessoas que os fizeram não tem muito conhecimento sobre como funciona a produção de animes, como por exemplo o fato de que direitos da TV e de plataformas de Streaming são assuntos separados. Além disso, Ishuzoku Reviewers não é produzido por nenhuma emissora, mas sim por um comitê, que liberou toda a verba do projeto.

Mesmo assim, parece que mesmo no Comitê de Programação Juvenil existe muita discordância sobre o anime fazer mal ou não à mente juvenil se for emitido na TV. Essas opiniões divergentes talvez ajudem a explicar como, mesmo depois de ter sido cancelado pela emissora Tokyo MX, o anime ainda está sendo exibido na TV aberta tanto em Kyoto quanto em Kobe.

Nos resta saber agora quando Shimoneta vai deixar de ser ficção para virar realidade.

Via SoraNews.

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